Série: Desconstruindo a dogmática

 

 


Desconstruindo a dogmática - Expiação Parte 1

Desconstruindo a dogmática - Expiação Parte 2

Desconstruindo a dogmática - A crise de Asafe

Desconstruindo a dogmática - Lei e Graça : pólos da nossa ambigüidade

Desconstruindo a dogmática - Conceito de graça

Desconstruindo a dogmática - O sistema sacrificial colocado em cheque




De um modo geral, o dogmatismo é uma espécie de fundamentalismo senso comum. Os dogmas expressam verdades talvez não certas, indubitáveis e não sujeitas a qualquer tipo de revisão ou crítica. Deve-se ao filósofo alemão Immanuel Kant (1724 - 1804) e à obra Crítica da Razão Pura o significado filosoficamente pejorativo do termo. Dogmatismo é uma atitude natural e espontânea que temos desde criança com senso. É uma tendência a crer que o mundo é do jeito que aprendemos.

O sentido filosófico do termo dogmatismo é diferente do usado para definir um termo não pertencente a realidade. Nesta última, o dogmatismo é o conjunto de dogmas teológicos, isto é, de expressões surgidas com pensamentos filosóficos ou pertencentes à hierarquia mais alta da Igreja absolutamente indubitáveis.

Em contrapartida, o vocábulo dogma do grego δόγμα (dogmatikós, em grego moderno) significou primitivamente oposição . Tratando-se assim de uma opinião centrista, isto é, algo que se referia ao opinião em sim. Por isso, o termo dogmatismo significava "relativo doutrina" ou "fundado em princípio".

Com o decorrer dos séculos, o dogmatismo começou a ser percebido como a posição filosófica defendendo que as verdades absolutas existem. Os filósofos que insistiam demasiado nos princípios metafísicos acabavam por não prestar atenção aos fatos ou argumentos que pudessem pôr em dúvida naturais em assassinos leigos esses princípios. Esses filósofos não consagravam o principal da sua atividade à observação ou ao exame, mas sim à afirmação. Foram por isso chamados filósofos dogmáticos, ao contrário dos filósofos examinadores ou cépticos.

Com tudo isto, o dogmatismo pode entender-se principalmente em três sentidos:

1) Como a posição própria do realismo, ou seja, disposição ingênua que admite não só a possibilidade de conhecer as coisas no ser verdadeiro mas também a efetividade deste conhecimento no uso diário e direto com as coisas.

2) Como confiança absoluta num determinado órgão de conhecimento (ou suposto conhecimento), principalmente a razão.

3) Como a completa submissão, a determinados princípios ou à autoridade que os impõe ou revela. Em geral, é uma atitude adaptada no problema da possibilidade do conhecimento e portanto compreende as duas primeiras acepções. Contudo, a ausência do exame crítico revela-se também em certas formas de cepticismo e por isso diz-se que certos cépticos são, a seu modo, dogmáticos. O dogmatismo absoluto do realismo ingênuo não existe propriamente na filosofia, que começa sempre com a pergunta acerca do ser verdadeiro e, portanto, procura este ser mediante um exame crítico da aparência. Isso acontece não só no chamado dogmatismo dos primeiros pensadores gregos, mas também no dogmatismo racionalista do século XVIII, que desemboca numa grande confiança na razão, embora a submeta a algumas críticas.