Sem Concessão pra Desgraça!





Por Franklin Rosa


Observações iniciais de leitura: o começo pode parecer dificultoso, mas o final será proveitoso.

Existem “duas realidades” experimentadas e discernidas na história do cristianismo: graça exclusiva e Graça inclusiva.

A graça exclusiva, é elaborada e sistematizada nas “cátedras” dos teólogos, exegetas e hermenêutas, sem Graça e sem Misericórdia (pois existem os bons exemplos em oposto a esses) que tentam traduzi-la e escrutiná-la tornando-a perceptível através da dissecação racional, que é fruto da masturbação filosófica hedonista.

Essa é a graça inacessível pela plebe, e que só pode ser tangível sob a ótica da grife denominacional hierarquizada, que é a veiculadora da ortodoxia sacramentada pela ortopraxia narcisista.

Essa graça enclausurada e encalacrada nos compêndios eclesiásticos, é sub-produto da mentalidade mimética daqueles que não perceberam que “A Graça” é a inclusão daqueles que são filhos da exclusão.

Ela é a tentativa de transferir para o outro, uma realidade gritante que reside dentro de si mesmo como morada assombrada: “Quem sou eu? Porque estou aqui? Para onde vou?

É a racionalização do ser que se perdeu na intenção de se encontrar, e que agora sente tesão em que outros se percam, para que juntos coloquem a pedra de fundação (ou seria afundação?), no memorial dos “Perdidos no Labirinto da Obscuridade Evangélica”.

É a graça que exclui, segrega, seleciona, é a mãe do “apartheid”.

Entendeu agora porque dificultei o início? Essa é graça que ninguém entende, nem mesmo seus defensores conseguem a definir... o que em última análise nada mais é do que desgraça!

Não é assim A Graça Inclusiva, que convoca a todos, de todos os jeitos, e de todas as percepções, para juntos fazerem festa no coração e na casa (você próprio) do Pai. Ela ajunta, agrega, chama pra perto aquele que já se sente filho do descaso da “segregação espiritual”.

O que é a Graça inclusiva senão a inserção no Reino dos filhos da exclusão, o colo e o beijo do Pai que consola o filho maltratado pela desmoralização, a valorização do ser que é objeto da degradação, a redenção de um Deus que tem por direito mas não por satisfação a retribuição com punição.

Graça inclusiva é isso. É sentir-se amado com a mesma intensidade de perceber-se inadequado, é a decisão do Eterno de no coração equivocado da criatura se fazer interno.

A Graça inclusiva é assim... é a re-significação da nossa insignificância, é a escolha de um Deus ilimitado que se limita a fazer piquinique no camping do nosso coração.

E porque já é Graça, sem  concessão pra desgraça!

Se não soubermos discerni-la e acolhê-la em fé simples, nos tornamos tão somente “Protótipos Falidos” da conjectura teológica daqueles que querem domesticá-la e represá-la nas fronteiras hierarquizadas da “RÉ-LIGIÃO”.