José: Exemplo de Consagração e Poder Espiritual

Por Franklin Rosa

O tema “Consagração e Poder Espiritual” tem sido motivo de grandes controvérsias no meio evangélico.
 
A. W. Tozer ou Aiden Wilson Tozer, um pastor e teólogo do século passado, escreveu um livro com o tema: “Cinco votos para obter poder espiritual”, onde ele trata basicamente da questão “CONSAGRAÇÃO”, relacionada a poder espiritual.
 
Uma autoridade católica definiu consagração e poder espiritual com a seguinte frase: “Ser Nada! Para ser só para Deus! E em Deus ser para todos!”.
 
Eu diria sintetizadamente que: Consagração e Poder Espiritual, não estão atrelados ao Realizar, e sim ao se Despojar!
 
Há quem pense equivocadamente, que consagração significa uma desagregação e dissociação das relações sociais, para adesão à uma vida monástica solitária, dedicada exclusiva e alienadamente a exercícios espirituais.
 
Na outra extremidade da questão, existem aqueles que associam poder espiritual com a capacidade (sabe-se lá de onde) de realização daquilo que transcende, e que resulta em manifestações bombásticas e espetaculares.
 
O grande problema, é que hoje em dia existe muita confusão no que se refere a identificar uma pessoa consagrada e cheia de poder.
 
Para a grande massa, uma pessoa consagrada e poderosa, é aquela que sempre aparece com pirotecnia, malabarismo e performaticidade evangélica chamando a atenção para si.
 
O grande desafio que nós temos numa época de superficialidades, é desenvolver um “poder de conteúdos internos”, e que influencie outros à uma vida de consagração e piedade.
 
Não posso deixar de registrar aqui, que caráter está inseparavelmente ligado a carisma e, consagração e poder espiritual é o resultado da transformação interior operada pelo Evangelho do Cristo Vivo, que se manifesta inevitavelmente no chão da vida, principalmente nas pequenas coisas da casualidade do cotidiano de cada um.
 
Partindo desta consciência, quero sugerir algumas percepções na vida de José em um breve passeio panorâmico pelo livro de Gênesis, e que fizeram dele no seu tempo um exemplo de consagração e poder espiritual.

Precisamos aprender a lidar com o meio em que estamos vivendo

Religiosamente, dia-a-dia, a mulher de Potifar seduzia José a deitar-se com ela – Gênesis cap. 39 vs. 7 ao 12.
 
Não pense você que estou me referindo a moralismos baratos e a inquisições religiosas de ordem sexual! Nada disso!
 
A maior sedução não era deitar-se com a “POTIFARSA”, mas sim, deitar-se e adulterar com a arrogância e a presunção, de que agora ele tinha o direito de assumir um lugar que não era seu.
 
É a mesma arrogância e presunção, que derrubou o cão! rsrsrs.

Precisamos aprender a fazer a vontade de Deus com autenticidade e sem hesitação

Em Gênesis cap. 41 vs. 16, temos mais uma demonstração do poder de opção por aquilo que é honesto e íntegro em sua vida.
 
José poderia perfeitamente entregar uma profecia encomendada a faraó para se livrar da prisão, mas sua resposta foi categórica e incisiva: “... Isso não está em mim: Deus dará resposta de paz a Faraó”.
 
José não se deixou seduzir e corromper, como resultado do dom recebido de Deus.
 
Não optou por pressão, manipulação, nem mesmo bajulação psicológica para influenciar favoravelmente Faraó em seu benefício.

Precisamos aprender a lidar com o poder

O poder se não for bem administrado, gera orgulho, ganância, soberba e todo tipo de confusão.
 
Como observou o psicanalista Jacques Lacan, a partir do momento em que alguém se vê "rei" (investido de autoridade e poder), ele muda sua personalidade alterando seu psiquismo, passando a olhar os outros "de cima", admitindo ele ou não.
 
José agora está diante da possibilidade real de vingar-se de seus irmãos Gênesis cap. 50 vs. 19, mas misericordiosamente ele surpreende a todos retribuindo o mal com o bem, a perversão com o perdão.
 
Precisamos vencer o desejo de vingança, e dar a oportunidade ao outro de mudar.
 
José disse à eles: “...Não temais, porque, porventura, estou eu em lugar de Deus?”
 
O maior exemplo e demonstração de consagração e poder na minha humilde opinião, está em Filipenses cap. 2 vs. 5 ao 9.
 
Aquele que tem o poder em seu absoluto, não se valeu dele para que suas intenções fossem estabelecidas, mas despiu-se de suas prerrogativas, nos dando o exemplo de que consagração e poder é resultado de uma disposição interior de “NÃO QUERER SER PARA APARECER”.
 
Vou citar uma máxima que sempre uso: É preciso poder para abrir mão do poder.
 
Precisamos aprender a vencer as decepções do passado

Só quem experimentou uma real percepção do que e de quem é (perdoado para perdoar), pode demonstrar tamanha dignidade e nobreza.
 
Ele deixa claro isso, quando se propõe a por o nome em seu filho de Manassés, que significa: “Deus me fez esquecer” Gênesis cap. 41 vs. 51.
 
Deu oportunidade a si mesmo e a vida de mostrar que podemos enfrentar os embates e as cruezas, e mesmo ficando indignados e perplexos com determinadas situações, é possível viver livre de ranços e amarguras que carcomem a alma.
 
Concluo, citando Salomão: “Melhor é o longânimo do que o valente, e o que governa o seu espírito do que o que toma uma cidade” Provérbios cap. 16 vs. 32.
 
Consagrado e poderoso, é aquele que consegue vencer a si mesmo!