Quando Uma Igreja Fica Sem Graça?



Como alguns já disseram, a Igreja é uma comunidade terapêutica com a missão de mostrar o caráter de Cristo através das boas obras e que resulte em valorização, crescimento e libertação do ser humano lhe dando uma nova perspectiva de vida em Graça.

Graça essa que não impõe, manipula, impropera vitupério nem vende ilusões de uma fé acessível pelo poder de aquisição da indulgência pelo fiel.

Como gostaria que isso fosse unanimidade entre todas as nomenclaturas religiosas que se propõem a serem voz de Deus, mas que por suas atitudes autenticam que são filhas das trevas, pois não enxergam um palmo a frente do nariz.

Partindo do pressuposto de que Igreja “gr. ekklesía” é a convocação individual, que ganha contornos de expressão plena na coletividade, é que levanto a questão: “Quando Uma Igreja Fica Sem Graça? 

Quando movimentos como “Marcha para Jesus”, “Gideões Missionários”, “ Shows do Diante do Trono” entre outros, que tem o potencial de se tornarem em manobra de massas, conseguem mobilizar  e motivar mais pessoas do que uma convocação para assistência social ou socorro aos desamparados vitimados pelas tragédias da vida. 

Quando dízimos e ofertas que são tão anunciados e acariciados por líderes que dependem deles, são destinados para “fins sem fim”, menos para alimentar o faminto, socorrer o necessitado e amparar o maltratado. 

Quando as músicas cantadas são para excitar o psicológico que precisa de uma overdose de adrenalina gospel, com clichês cansativos, maçantes e vazios do tipo: “vai chover”, “fogo e glória”, “restitui”, “unção de dupla honra”, “rio de benção”, “geração de excelência”. A lista é longa e rasa de conteúdo, e os louvores são para exaltar o mimado adorador e não ao Senhor. 

Quando as vestimentas e os “pêlos” dos santos se caracterizam como meio de santidade, violentando a Graça e deixando absolutamente claro que a obra de Cristo na cruz não foi suficiente e perfeita, precisando assim ser melhorada com coisas do tipo: Vista isso e não aquilo, bigode pode, barba é do capeta, cabelo não se corta, perna não se rapa. Ah... me poupe!!! 

Quando os meios justificam os fins numa conspiração maquiavélica onde o importante é o que funciona e dá certo, não importando se é ético, coerente e honesto. Nessa corrente de pensamento, sal vira tapete de exorcismo, rosa ganha status de ungida, sabonete se consagra como terapêutico e método divino de cura, óleo de soja Lisa se transforma em azeite de Israel, fitinha vermelha amarrada no braço vira proteção do “Padroeiro Jesus”, suor do pregador é material de milagre, paletó de “profeta” proporciona boliche humano, e aí não existem limites para as esquisitices e aberrações da “Gospel Lândia”. 

Quando metodologias de crescimento e gestão eclesiástica são sacralizadas e divulgadas com a “áurea” de “estratégia do coração de Deus”, para que os membros sejam manipulados a fazerem adesão as ambições de um líder egocêntrico, menosprezando assim a simplicidade do Evangelho e a ação de convencimento do Espírito Santo. 

Quando programações e campanhas intermináveis são o carro chefe de “entretenimento do povo”, um artifício para prender o rebanho e não deixar que comam em outro pasto, ou que desenvolvam consciência própria, o que ameaçaria o monopólio gerencial sobre a vida alheia. 

Quando as normas e o estatuto da denominação ganham um altar de idolatria no coração, tendo assim o poder de influenciar para que não se salve uma vida no sábado porque a lei não consente, ou, segregar alguém na santa ceia porque o regulamento interno “do Tribunal Justiceiro”, não permite que se usufrua do direito legítimo de ir ao cinema ou jogar futebol. É a supremacia das regras da religião subjugando os sentimentos e individualidade do ser humano. 

Quando batalha espiritual e experiências místicas carregadas de emocionalismo e terrorismo infernal, ocupam mais tempo do que a exposição da Palavra e a comunhão entre os irmãos. 

Quando as pessoas se sentem motivadas a irem a uma reunião, só por causa do líder pop star que é carismático e ministra aquilo que a “Vox Populi” deseja ouvir, ainda que não seja procedência da “Vox Dei”. 

Quando os menos favorecidos e de menor contribuição financeira são esquecidos, e os mais abastados e de maior contribuição são paparicados. 

Quando títulos eclesiásticos que são tão reverenciados e evocados pelos “clérigos do púlpito”, se tornam ocultamente no coração, o motivo de repreensão, disciplina e exclusão por não se dirigirem a “vossa santidade” pelas prerrogativas por ele conquistada com tanto empenho no “plano de carreira ministerial”. 


E quem desejar, pode acrescentar...