Já me desviei e vou continuar me desviando!



Quem nunca se desviou, que seja o primeiro e atire a pedra!

“E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que, de entre vós, está sem pecado, seja o primeiro que atire pedra contra ela” (Lucas cap. 8 vs. 37)

Vez ou outra ouço alguns ensimesmados se vangloriando com seus currículos impecáveis de adesão a uma agremiação religiosa, dizendo o seguinte: “Eu estou a tantos anos na Igreja e nunca me desviei!”

É patética a auto afirmação de quem ainda não se enxergou, e que a tantos anos ouvindo o Evangelho, não percebeu ainda que o único argumento capaz de atender plenamente a expectativa de Deus em relação ao ser humano, é a decisão unilateral do CRIADOR em se reconciliar com a criaturinha desalmada.

Precisam ouvir o profeta Isaías dizendo com veemência: “Larga mão de ser besta rapaz! Todos nós somos imundos, e todas as nossas boas ações não passam de fralda de neném cheia de cocô, que não serve pra mais nada a não ser jogada fora!” Todos nós pisamos na bola, e os nossos bichinhos pecaminosos de estimação, desmancham toda sensação de masturbação piedosa!” (Isaías cap. 64 vs. 6 na versão São Franklin corrigido e atualizado pela Graça ano de 2011).

O grande equívoco se encontra, em associar espiritualidade com freqüência a programas religiosos que estão vinculados obrigatoriamente a um espaço físico com estrutura, endereço e CNPJ.

Esse tipo de gente que usurpa de tal pretensão, nunca se desviou de paredes e performances exteriorizadas de clubinho evangélico, mas do EVANGELHO, estão desviados faz tempo, pois não tiveram a humildade de reconhecer que: “Eu gosto mesmo é de aprontar e de fazer besteira, mas me descabelo, porque também sinto igualmente o desejo de agradar ao meu Deus, mas vez ou outra me desvio por causa das pulsões que são latentes na minha natureza almática e adâmica! Tranqueira de homem que sou! Quem me livrará dessa roubada?”  (Romanos cap. 7 vs. 15 e 24 na versão São Franklin corrigido e atualizado pela Graça ano de 2011).

Erramos o alvo constantemente (nos desviamos), todo dia, toda hora em qualquer lugar, dentro ou fora das paredes beatificadas pela falsificada espiritualidade idealizada...  Em atitudes que geram maior ou menor repercussão, num gesto num olhar, no sentir no falar, no ouvir no pensar... Isso é coisa de pele, tá no DNA! Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.... Todos se EXTRAVIARAM, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só... Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Romanos cap. 3 vs. 10, 12, 20).

Sim, eu tenho a coragem de dizer que já me desviei e vou continuar me desviando, mas de igualmente aceitar o fato de que: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora.” (João cap. 6 vs. 37), e de também ter a responsabilidade de não fazer dessa inadequação e fragilidade temporal concessão deliberada suicida.

Já me desviei e vou continuar me desviando, porque estou há anos luz do projeto idealizado.

Já me desviei e vou continuar me desviando, porque sou um ser em construção contraditoriamente inclinado a relativização.

Já me desviei e vou continuar me desviando, porque não existem blindagens especiais para quem encara a aventura de viver.

Já me desviei e vou continuar me desviando, porque piedade e ambigüidade são vizinhas geminadas.

Já me desviei e vou continuar me desviando, porque estou como aprendiz e não como ser angelical no caminho da Graça.

Já me desviei e vou continuar me desviando, porque nesse processo eu me reconheço e cresço como ser humano para não ser desumano.

Já me desviei e vou continuar me desviando, porque não pretendo queimar a etapa dessa existência para me precipitar na eterna galeria dos impecáveis da fé.

Já me desviei e vou continuar me desviando! E Quem nunca se desviou, que seja o primeiro e atire a pedra!