Igrejas ou Elefantes Brancos?!



“E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios! E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada” Marcos cap. 13 vs. 1 e 2

Dentro da minha trajetória no “cristianismo”, pude conviver com líderes coerentes e éticos, mas com motivações sinceramente equivocadas, e também tive o desprazer de ter que conviver com alguns outros sem o mínimo de caráter nem escrúpulos, pensando somente na sua auto-projeção em detrimento dos sentimentos e necessidades dos seres humanos sob sua liderança.

Os primeiros engajados em sua sinceridade equivocada de “construir Igreja” com a ilusão de estarem honrando e prestando serviço a Deus, os segundos somente pensando em ostentarem e capitalizarem em benefício do próprio reino.

Nos dois casos em última análise, há uma sobrecarga desnecessária quando não desonesta em relação ao estímulo empregado em motivar os membros da comunidade, para que eles contribuam com tempo e principalmente recursos financeiros, canalizando isto para a edificação de estruturas físicas.

O fato é que, muito dos recursos e energia que se tem empregado para “construir Igreja” com a falsa idéia de se expandir o Reino de Deus, na verdade tem sido contribuição para a construção de ELEFANTES BRANCOS, que se tornam “vaidade de vaidades” dentro da realidade essencial do que significa ser relevante como Igreja, e de como podemos colaborar com a construção de uma vida melhor na existência do nosso semelhante.

“A expressão ELEFANTE BRANCO, tem origem num costume asiático praticado na Índia e na Tailândia.

Quando um cortesão caía no desagrado do seu monarca este, às vezes, oferecia-lhe um belo elefante branco.

O que parecia um presente grandioso, vinha a revelar-se um grande infortúnio para quem o recebia.

O elefante, por ser sagrado, só podia ser usado pelo próprio rei, não podia ser usado para o trabalho, nem participar em festas privadas do presenteado. Ainda por cima, o cortesão teria de lhe dar abrigo magnificente, alimentá-lo opulentamente e ter ao seu serviço dispendiosos cornacas que o deveriam tratar como um animal de luxo (fonte: À Beira Lethes)”. TRADUZINDO: OSTENTAÇÃO, DOR DE CABEÇA E INUTILIDADE! Esse é o retrato do nosso contexto e concepção de Igreja.

Tenho presenciado já há vários anos na região onde moro e em todo o contexto religioso brasileiro, uma concorrência descabida para ver quem constrói o mais opulente “ELEFANTE BRANCO”, a custa do sacrifício do povo simples e da omissão com relação as necessidades reais daqueles que precisam da parte prática do Evangelho, que é AMOR traduzido em SOLIDARIEDADE.

Igreja não se constrói com estruturas físicas, ela deve existir como movimento do AMOR por parte daqueles que foram alcançados pelo Evangelho, para que agora alcancem outros com o mesmo AMOR de forma prática e objetiva.

Por essas entre outras é que proponho uma séria reflexão:

Pra quê “construir Igrejas”, se elas se tornam um fim em si mesmo com as inúmeras reuniões e não acolhem os desabrigados e moradores de rua que necessitam de abrigo?!

Pra quê “construir Igrejas”, se podemos melhorar a vida das pessoas construindo-lhes um teto ainda que simples, para que elas não tenham de apelar para Celso Portiolli, Luciano Huck ou Gugu Liberato?!

Pra quê “construir Igrejas”, se elas ficam com suas dependências a maior parte do tempo ociosas, e não estão disponíveis em prol da comunidade onde estão inseridas?!

Pra quê “construir Igrejas”, se missionários estão padecendo no campo, vivendo e desempenhando sua vocação com as sobras dos megalomaníacos empreendimentos “IGREJÁRIOS”?!

Pra quê “construir Igrejas”, se podemos nos reunir como “IGREJA” de forma alternativa, simples, eficaz e barata, e em resposta ao Evangelho construir vida na existência das pessoas atendendo carências por mais básicas que sejam?!

Pra quê “construir Igrejas”, se entidades sociais, ongs e instituições não governamentais que cuidam de aidéticos, cancerosos, entre outras patologias e necessidades da sociedade, fazem malabarismo a cada mês para equilibrar seu orçamento dando um pouco de esperança a essas pessoas, sendo que, NÓS PODERÍAMOS SER IGREJA PARA ELES com nossos recursos e energia?!

Parece-me que mesmo depois de dois mil anos e de palavras tão contundentes como as do texto de introdução, a Igreja ainda se mantém indolente e letárgica, e a exemplo dos discípulos valorizando prédios e estruturas sejam eles pouco ou muito sofisticados negligenciando o principal: A SI MESMO E AO PRÓXIMO!

Pra quê construir Elefantes Brancos?!... Por quê não construir orfanatos, creches, asilos, escolas, em fim, estruturas físicas que atendam a necessidade do próximo?!