Você está na Igreja Verdadeira?!




“Pois, também, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus...” Mateus cap. 16 vs. 18 e 19.

Ao longo dos anos esta tem sido a dúvida de alguns ou, a certeza de outros que querem definir e consolidar as fronteiras de sua espiritualidade impondo sua visão particularizada de fé.

O termo original no grego usado para Igreja (ekklesia), não possuía nada em especial. Era apenas uma assembléia popular da democracia ateniense na Grécia Antiga, aberta a todos os cidadãos homens com mais de dezoito anos, sendo que, todas as classes de cidadãos podiam participar dela.

Concernente ao emprego da palavra no cristianismo, pode-se dizer que Ecclesia, palavra latina que quer dizer igreja, curral ou abrigo de ovelhas, era a "assembléia por convocação, reunião, ajuntamento dos primeiros cristãos, a comunhão cristã”.

Já logo nos primeiros séculos do cristianismo, essa concepção de “igreja” sofreu mutações, fazendo com que uma simples reunião ganhasse a formatação e transferência para estruturas físicas (prédios), como também definições ideológicas e filosóficas patrocinadas pelos líderes/clérigos de então, passando a ser um instrumento controlador e regulador da fé. Nada mais distante do Evangelho de Jesus ela poderia se tornar, com esse “modus operandis”!

Na verdade, a igreja só é Igreja conforme o propósito de Jesus, quando ela é promotora do resgate da liberdade do ser humano como indivíduo criado a imagem e semelhança do Criador. Quando ela quer formatar, esteriotipar, cercear, e mais uma longa lista de "AR", ela tornou-se instrumento de prisão e consequentemente do inferno.

Quando o tema da discussão é “desviados ou afastados da comunhão”, entendo que na realidade algumas pessoas nunca saíram da IGREJA INVISÍVEL CORPO DE CRISTO, simplesmente não pertencem mais a um rol de membros de uma instituição que é produto da elaboração humana. Em contrapartida, outras nunca entraram, somente fizeram uma adesão denominacional regrada por ativismo e entusiasmo religioso.

A IGREJA INVISÍVEL CORPO DE CRISTO, está anos luz a frente dessa tentativa de manipulação psicológica terrorista daqueles que se dizem detentores do monopólio da salvação, aquela coisa bem "basicasinha e burrinha" de dizer: "aqui é a casa de Deus, e fora daqui não há remissão de pecados".

Essa declaração é deplorável, lamentável, superficial e fraudulenta, já que Cristo não morreu por instituições ou estruturas prediais e estatutárias, e sim, por GENTE, por seres HUMANOS, para restaurá-los a imagem e semelhança de si mesmo, independente da agremiação religiosa que se proponha arrogantemente a ser o "PEDÁGIO DO CÉU NA TERRA!".

Meu conselho aos que não suportam mais o peso das estruturas fechadas e intransigentes da religião, é que se reúnam com pessoas que crêem no Evangelho, e que buscam leveza, simplicidade e sobre tudo, reciprocidade em amor sem fazer do formato um fim em si mesmo.

Quando as pessoas valorizam mais o formato, as liturgias, as indumentárias, os estatutos ou teologias concebidas de forma hermética e inflexível, já decaíram da Graça de Cristo e desviados e idólatras se fizeram.

A Igreja no seu “formato” original, não possuía estrutura nem prédios, nem por isso deixou de ser Igreja, aliás, aquela era "A IGREJA". Comunidade que era um círculo de amizade gerada nos laços do Evangelho. Comunidade que não tinha a pretensão de se fechar e alienar-se, demonizando aqueles que não aderissem a sua filosofia ou ideologia. Eles entenderam que a proposta de Cristo era libertar, e não encarcerar a pessoa num novo sistema de regras e hierarquias.

Se você decidi reunir-se com algumas pessoas em torno do Cristo revelado nos Evangelhos, seja na sua casa, num parque ou em outro local qualquer que não tenha a configuração e a estética daquilo que se chama erroneamente de Igreja, aí é e está "A IGREJA", pois ELE disse: "ONDE ESTIVEREM DOIS OU TRÊS REUNIDOS EM MEU NOME, AÍ ESTOU "EU" NO MEIO DELES".


OBS. - Os comentários desse texto estão postados no blog do meu amigo Eduardo Medeiros (CAMINHOS DA TEOLOGIA), onde ele foi publicado em primeira mão. Para comentar ou acompanhar os debates que foram intensos, clique no link.