Poly-Dance e Bate-Cabelo pra Gézuis!

lOKAVENTURAS PENTECA OS TAIS


Vigília semanal na casa da Nádia e da Mariana, fazia parte do currículo “black-belt on the best of God”. Já havíamos carregado a pilha gospel depois da “unção do riso”, algumas “profetiradas” e não tão poucos “siricantalánapraia’s”.

A noite anterior aquele sábado suplantaria facilmente os melhores palcos de comédia devido aos ataques incontroláveis de gargalhadas, mas nada comparável ao dia em questão. Fato é que, pelo naipe humorístico e cômico dos confrades(as) da “pentecolândia” envolvidos, a palhaçada era garantia certa.

A densidade espiritual e cômica era tamanha, que mal podíamos parar em pé ou nos mantermos sisudos diante do “mover CQC”. Dona Márcia olhava para a Nádia, que olhava para a Mariana, que olhava para a Laryssa, que olhava para o Zézinho que olhava para mim, fazendo com que a equação terminasse inevitavelmente em “pit stop’s” no banheiro, ou então, reidratações desesperadas a cada “gracejo no espírito”.

Tempos de ingenuidade, imaturidade, porém sinceridade e cumplicidade visceral, que nos movia espontaneamente em direção a situações e programações as mais bizarras possíveis.

Foram essas combinações que despertaram em nós o desejo de naquele dia ir ver o famoso pregador “penteca o tal” em uma grande denominação da nossa cidade.

Mal havíamos adentrado ao templo e já começaram as “ciranda-cirandinha’s” no espírito (aquela “unção” onde dois crentes de mãos dadas de frente um para o outro começam a balançar os braços e girar compulsivamente).

A coisa estava esquentando, a tampa da chaleira já estava voando, Congonhas, Galeão e Viracopos, eram simples pistas de pouso clandestinas diante das decolagens fenomenais dos “aviõenzinhos de Jesus”.

Uma cena um tanto quanto erótica estava se desenrolando naquele ambiente sacro. Uma irmãzinha se ajoelha em frente ao “Brad Pitt Crentex” da comunidade, agarra na sua panturrilha e começa a  metralhar profecias intercaladas com línguas entranhas, digo, línguas estranhas, mais precisamente esquisitas. Creio que a língua da “anja” em que falava era: “setumecantastumelevas”.

Sem aviso prévio ou formalidades, Sua Santidade Vice-Presidente da Nova Jesrusalém Helicoidal entra no palco realizando acrobacias ungidas tipo “Tuiuiú de Gézuis” e começa a introduzir sua oratória:

– Caros e nobres irmãos, não pretendo ser prolixo, mas anelo ser suscinto, para que a retórica não seja exacerbada e execrável. Abramos as sacro-santas exegeses bíblicas no compêndio teológico do preletor eterno e internacional, phd em “chorologia” e “poçologia”, doutor Jeremias pós-graduado em “barrologia”.

Repentinamente um irmãozinho 4x4 surta no esprítu atraindo para si todos os olhares dos presentes, que agora nem sequer prestavam atenção em Sua Santidade.

Quando o dito cujo começa sua performance aos brados de êxtase da assistência, quem entrasse e não tivesse intimidade com as possibilidades desse tipo de “mover”, diria que era uma mistura de “poly-dance” com “bate-cabelo” adaptados para crentes do sexo masculino trajados de terno e gravata.

Que loucura! O irmão 4x4 de terno branco, se atirava nas colunas do templo realizando uma performance de deixar qualquer dançarina de poly-dance com dor de cotovelo devido a sua habilidade em se enrolar nas pilastras evangélicas.

Da mesma forma, quando se desvencilhava da “unção poly-dance”, ele partia para a “unção do bate-cabelo” (aquela que as Drag-Queens fazem girando tresloucadamente a cabeça ao som de uma música frenética).

Mas seu momento de glória na calçada da fama evangélica estava prestes a acabar. Depois de “poly-dançar” por alguns minutos, ele ganha os corredores do templo num carreirão de “bate-cabelo”, e o previsível acontece: Ouve-se um grito agonizante resultado de uma cena digna de um Kamikase Gospel.

Era o grito de dor do irmão 4x4 que havia se chocado contra uma parede a meia altura quase caindo escadaria abaixo, e que agora estava estatelado no chão todo manchado de poeira com seu terno branco!

Foi o suficiente pra ele “descer ou subir” ao planeta terra, e ficar o resto do culto em silêncio encabulado por ter perdido a unção.

Olhávamos um para o outro num misto de risos reprimidos pela ocasião hilária, porém sacra, e uma imensa pena de dar dó do jegue, digo, pobre irmão que aprendeu que: “Quando um burro fala o outro abaixa a cabeça!”.