O Exorcista do Futuro

lOKAVENTURAS PENTECA OS TAIS
 

“E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios...” Marcos cap. 16 vs. 17

Desde o dia em que tive minha primeira experiência de exorcismo quando fui pressionado pela circunstância a expulsar uma “entidade de esquerda” dando um chute num sofá e dizendo “vai embora e não volta mais!”, peguei gosto pela coisa e fui me especializando ainda mesmo sem ser convertido ao Evangelho.

Preciso admitir que já havia feito um treinamento prévio tipo “Telecurso 2° Grau” por aquilo que eu assistia na Tv em alguns programas evangélicos e também com a atuação de alguns crentes da família e da vizinhança quando eram convocados para o “ghost-buster”, digo “ghost-demo” em algum moribundo possuído do cão.

Daí para a conversão foi só um passo. Mantrificar numa espécie de abracadabra o Nome de Jesus para ter êxito nas sessões de descarrego do demo onde era solicitado, virou pós-graduação com direito a ISO 9000.

Quando acontecia algum barraco “dos quinto”, lá estava com o “meu_nistério” para me divertir e bagunçar o coreto do capeta.

Com toda essa bagagem e “eusadia” desembarco naquele dia hilário. O telefone toca.

 – Daria pra vocês (eu e minha fiel escudeira, linha de frente, postulando a “ghost-demo-buster”) orarem pela “Fulana de Tal” novamente? É que ela não está muito bem porque se desentendeu com o “Cicrano”.

 – Daria sim! Voz empostada e coração radiante por mais um capítulo de “SOBRENATURAL”.

Não muito tempo depois chega nossa visitante para mais uma terapia intensiva da sessão do descarrego.

– Que foi minha filha, o que aconteceu?!

– Eu não estou passando muito bem por causa de uma briga.

 – Vamos orar! A oração e eu podemos tudo com nossos efeitos (que estavam mais para defeitos especiais)!

Sem prosopopéias ou embromations evangélicas, com a mão imposta sobre a cabeça da vítima que já estava totalmente rendida e possuída de um encosto do além, fui logo disparando.

 – Ilustríssima Pomba-Gira, sai dela, do marido dela, do emprego dela, do guarda-roupa dela, de debaixo da cama dela, dos cachorros dela aaaaaagorrrrrra em nome de Gézuis.

 – Quero não, posso não, não vou não, sou encosto não me rendo não! Quero não, posso não, não vou não, tô encangado e não abro mão!

Algumas horas depois já no vigésimo round e a beira de um nocaute, quase apelando para vela preta e arruda de guiné, disse para a Pomba:

– Do quê que o cê gosta demônio?!

 – De marafo!

 – Ah! É de marafo? Vou mandar buscar pra você!

A fiel escudeira tratou logo de providenciar na casa do vizinho (minha vítima e cúmplice nos despachos do além) um copo de cachaça passado a régua para acalmar a Pomba desvairada.

 – É de marafo né?! Então toma tudo num gole só capeta!

Como a corsa suspira pelas águas, assim virou a Pomba o copo de águardente num gole só.

 – Agora sai dela em nome de Gézuis! E... da cachaça também! Aaaaaagorrrrrra pelos poderes de Grayskull!!!

Incrivelmente a Pomba se foi, escafedeu-se sem deixar sequer vestígios (bafo) de cana na “fulana de tal”, e sem deixar do mesmo modo orgulho de farra gospel no “exorcista do futuro”, senão um tremendo cansaço e vergonha.

P.S. – Os fatos e personagens são reais em sua essência inclusive o descarrego com cachaça, mas com uma boa dose de cenografia e imaginação literária.