Fogo, Glória & Buraco

lOKAVENTURAS PENTECA OS TAIS


“E, descendo eles do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto...” Marcos cap. 9 vs. 9.

Crente Alpinista - quem nunca foi não sabe o que perdeu! Farra pra rachar de rir!

Pois é... Em tempos remotos da minha atual conjuntura devocional, vigília na Serra do Gut era crucial para o crente que quisesse se consolidar como espiritual e diferenciado do “reles evangélico lustra banco”.

Não pouca vezes, a unção do “Evereste” baixava na galera e bora lá pro monte pra buscar poder e autoridade.

Nas primeiras incursões era fácil o acesso. Lembro-me de uma vez em que os veículos mais novos não tinham a “Unção da Tração” pra chegar até o “Topo da Benção”, e somente o “Patinho Feio” (aquele do: Se meu Fiat falasse...) e a Belinona Bonanza setenta e pôco do Zé e da Meire, conseguiam arrebatar a galera até o terceiro céu. Até de marcha-ré empurrado pelo “anjo rebocador auto-ban”, o “patinho feio” subiu o morro gerando êxtase transcendental no pessoal, que entendia como selo de “aprovação Divina” para aquela missão, conforme os mais espiritualizados afirmavam em meio a alguns “cantalanasiria y ritamémnaarábia”.

Porém, depois de tanta bandalha promovida pela “crentolândia”, o proprietário foi obrigado a cercar o monte para proteger a “santidade” de suas terras invadidas pelos “desordeiros de Jesus”.

Foi numa dessas vezes em que já não era mais possível o acesso motorizado, que eu, o Carlão (meu auxiliar que depois virou o titular da Igreja em Campo Limpo), o João Firmano que era figuraça de carteirinha, e o pernambucano de fala cadenciada e mansa especialista em frases capciosas chamado por todos de Zézinho, inventamos de furar o bloqueio imposto para carregar a “pilha gospel” de poder do alto.

Foi o maior barato... Já no ápice do “morro do milagre”, não faltou sapatinho de fogo, chupaxitabalahalls and terramantunévia, reprimenda no capeta que estava interferindo no nosso devocional ocasionando a quebra de galho de árvores, giroflex de Jesus, entre outras produções da “Church Embrometion of God”.

Um frio de dar gosto que só passava quando alguém caía no mistério da “lambreta de fogo” (aquela unção que o cara levanta as mãos como quem está pilotando uma lambreta saindo na disparada, e começa no espritu a balbuciar em línguas esquisitas: TAAARRATÁTÁTÁTÁEI! que lembra mais um funk o PÁRRÁPÁRÁPÁPÁPÁPÁRÁPÁPÁ_ PÁRRÁPÁRÁPÁPÁPÁPÁRÁPÁPÁ, fazendo com que os assistentes de pista tivessem de correr atrás do infeliz pra ele não despencar precipício abaixo.

Aquela vigília foi show! Depois de viajar na maionese e aterrizar no angú gospel, decidimos por volta das quatro da matina que já era tempo de voltar ao sopé do monte e ir pro berço.

Lá fomos nós fazer o download... Com muita dificuldade no regresso devido a escuridão e iluminados somente pelo farolete lunar, nos arriscávamos entre mato fechado, pedregulhos que dificultavam a aderência dos sapatos no chão, valas e cercas, além do medo implantado em nós pelas estórias cabulosas que o João Firmano tinha contado de espíritos guardiões das matas.

De repente algo sinistro acontece. O Carlão grita:

 – Ô João, cadê o Franklin que eu num tô escutando ele?!

– Num sei Carlão, acho que ele está vindo!

Zézinho que sempre teve uma sensorialidade mais acurada para assuntos e mistérios espirituais, logo retrucou:

– Ô xênte! Eu acho que o Frank foi arrébatadu! Já procurei e num achei!

João Firmano entra na cena novamente pra esculachar geral e fechar a noite com uma boa sessão de risadas.

– Foi arrébatadu não sua anta! Foi empurrado! Ói ele aqui no buraco meu santo!

Estendendo a mão, me ajudou a sair da vala onde eu tinha caído, e fomos embora num clima de total descontração regado a boas lembranças da noite de “Fogo, Glória & Buraco”.


P.S.  – Doces lembranças de experiências vividas com os irmãos em questão, onde nutríamos a simplicidade e a amizade regada de situações hilárias pra lá de boas.