Moisés e o disco voador


lOKAVENTURAS PENTECA OS TAIS

“Sucedeu, pois, que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada do teu espírito sobre mim. E disse: Coisa dura pediste; se me vires, quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará. E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro: e Elias subiu ao céu num redemoinho. O que vendo, Eliseu clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros! E nunca mais o viu: e, travando dos seus vestidos, os rasgou em duas partes” 2° Reis cap. 2 vs. 9 ao 12.

Moisés, Elias e Adalmir num monte de transfigurações

Ops! Não é equívoco ou ilusão de ótica. A epígrafe bíblica relata a odisséia protagonizada por Elias, mas a crônica e a gravura são de cenas agonizadas por Moisés.

Antenado & descolado, escrachado & debochado, são apenas alguns adjetivos na difícil tarefa de tentar traduzir sem avacalhar, a personalidade desse ente singular registrado no cartório com alcunha de profeta e sobrenome de planta que se coloca atrás da orelha para espantar mau olhado.

Desde pequeno ele já tinha vocação para despertar nos seus observadores risos generosos que os faziam sentir dores de parto por conta das contrações geradas pelas incontroláveis gargalhadas.

Palhaço?! Absolutamente sim e não! Sim pela alegria contagiante de suas histórias e teatralizações inspiradas em situações inusitadas da vida, e não porque comercializar sui gêneris tais como “asa de morcego” a “vela benta de sétimo dia”, é sua profissão desde que ganhou a transição da puberdade para a responsabilidade da juventude com a tarefa de ajudar no sustento de mais sete irmãos.

Muito noviço ainda e debaixo da tutela e influência da mãe dona Leopoldina e do pai Seu Modesto Justino, ele começou a desenvolver uma outra habilidade que tinha o selo e o dedo da Divindade fazendo com que se destacasse na comunidade cristã onde toda família praticava sua fé, tocando, cantando e pregando sermões para jovens e adultos, homens e mulheres, gente boa e tranqueira de gente, para ele não importava, contanto que encontrasse alguém disposto a ouvi-lo e se arriscar a ficar desidratado de tanto chorar de rir.

Foi assim... Com essa cômica espontaneidade e compromisso em obedecer ao chamado que agora se tornara em pastorado, que ele nesses encontros e desencontros patrocinados pelas casualidades da vida, conhece um outro ser tanto ou quanto anti-convencional como o próprio, que gosta de trafegar na contra-mão da normalidade.

Ficha corrida do individuo e boletim de ocorrência?! Adalmir Poloniéviski, amasiado com duas Chopper e dois Fusca da década de setenta, nenhum aparelho celular tampouco computador pela ojeriza a tecnologia, no auge da sua sexta década de existência praticante de um tipo de fusão de várias filosofias espiritualistas, com forte inclinação alienígena adepto da ufologia, simpatizante de carteirinha do nazismo, com os créditos de todos os anos promover festa de aniversário em homenagem ao ilustre Chanceller do Terceiro Reich. Quer mais ou está de bom tamanho?!

Não, não, não, aquiete sua alma! Não é nenhum tipo de tramitação para a continuidade do estabelecimento da raça ariana. É simplesmente o encontro de dois personagens pitorescos com amigos e situações em comum na remota e já não tão pacata cidade interiorana brasileira com o inusitado nome de Martelândia do Sul.

O que esses senhores tão antagônicos mas estranhamente tão parecidos entre si têm para dialogar?! Pasme e empalideça! Ufo-logia e Teo-logia! 

Oh no!!! E.T. fone home of God!!!

O promoter do sincretismo “AlieNazista” introduz a conversação interrogando o profeta incorporado no vendedor/pastor.

- Você acredita em disco voador?!

Ao que ele responde:

- Si creio rapá!!! E você, acredita em carroça de fogo que voa com cavalo e tudo?!

Incontinência urinária, contrações abdominais e olhos lacrimejados foram só alguns dos sintomas apresentados diante da réplica presepiana. Não houve sequer mais tempo nem possibilidade para alguma argumentação devido ao rompante de risos e gargalhadas que pairou na ambiência fazendo com que todos borrassem a maquiagem que escondia as linhas de expressão agregadas pelas desventuras do cotidiano e que agora ganhava a visitação e companhia da alegria numa versão satirizada.