Eu ainda pego esse Adão!



“E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comiGênesis cap. 3 vs. 9 ao 12

Fracasso, frustração, sofrimento, são só algumas palavras que traduzem a experiência do nosso pai e irmão de afinidades na alma Adão.

Minha intenção não é colocar em discussão o personagem histórico versus o mito Adão, e sim expor o caminho comum a todos interpretado nesse que tinha todo um contexto favorável para fazer a diferença, mas que relativizou o poder de escolha não ouvindo o conselho da Sabedoria: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.

Nossa primeira reação quando o assunto é o dito cujo do Adão, é assumirmos uma postura idealizada de que se fôssemos nós os protagonistas do Éden, as coisas seriam diferentes. Será?!

Com muita freqüência, costumo ouvir a frase: “ EU AINDA PEGO ESSE ADÃO quando chegar no céu,!”

Adão vulgarizou o que era sagrado, profanou o que era santo, desprezou o que era para ser valorizado não tendo a percepção que justamente aí residia o sucesso e o fracasso de seu futuro e de toda a sua posteridade.

Talvez você esteja se perguntando: “Será que ele está falando da árvore?!”

Não. Estou falando da opção por aquilo que traz vida e bem, e que nos aproxima da realização como seres humanos melhores!

Nós demonizamos e crucificamos o Adão que é um protótipo nosso com riqueza de detalhes e que, não queremos ou não temos a honestidade de assumir.

Esse Adão somos nós, quando não valorizamos “O Conselho” e fazemos mau uso da capacidade de escolher, optando por aquilo que é imediato, transitório e satisfaz a curiosidade represada.

Esse Adão somos nós, quando não admitimos nossos erros e queremos evitar o confronto porque ele expõe nossa nudez moral.

Esse Adão somos nós, quando queremos justificar um erro transferindo a responsabilidade para outro, não tendo assim que enfrentar a vergonha de conhecer nossas poderosas fragilidades.

Esse Adão somos nós, quando negligenciamos o que proporciona vida, e sofremos a conseqüência de uma consciência culpada que agora é lacerada pela auto-destruição de um ser que se percebe como vítima de si mesmo.

Esse Adão somos nós, quando deixamos vulnerável gratuitamente, aqueles que deveriam ser o alvo de nossa proteção, cuidado e carinho.

Esse Adão somos nós, e por que nós somos em Adão, existe a possibilidade real de um novo capítulo nessa história, pois o segundo Adão nos redimiu do primeiro, nos pacificando com o ABBA: “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante... O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.” 1ª Coríntios cap. 15 vs. 45,47


Para comentar ou visualizar os debates visite o blog: