Vai entrar na arca, ou continuar andando no mesmo barco?!



“Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR”, “... Noé andava com Deus”, “Assim fez Noé; conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez” Gênesis cap. 6 vs. 8, 9 e 22

É quase que impossível conceber, olhando para a inusitada história de Noé, um indivíduo que não seja tido por seus contemporâneos como excêntrico, despadronizado e anti-convencional para os moldes da época.

Um sujeito de crenças esquisitas com personalidade própria e que ousou encarar uma missão histórica sabedor ou não (quem sabe?), da solidão, rejeição e exclusão que sofreria pela decisão de assumir suas convicções de fé num Deus contraditório a razão e a estética da imaginação popular.

Noé provavelmente chocaria e causaria constrangimento, divisão e muitos transtornos, se decidisse freqüentar e expor suas crenças “mirabolantes”, nas atuais congregações evangélicas que prezam por uma teologia hermética, absolutamente padronizada pela caixa de raciocínios que são fruto da dissecação de um Deus limitado a agir conforme o legalmente pré-estabelecido nas institutas das convenções denominacionais.

O enredo de Noé é um desafio de alguém que ousou assumir posicionamentos e crenças, e um exemplo para que não venhamos ficar desiludidos e amargurados com a vida em Deus, tendo a sensação de que algo nos escapou por entre as mãos.

Conheço pessoas que estão se arrastando na performaticidade da vida religiosa, com um tremendo fardo de frustração, por crerem em verdades que suas consciências absorveram da revelação do Evangelho, mas que pela pressão do meio em que vivem e para manterem a aparência e o status de espirituais e ortodoxos, agem de maneira contrária ao seu coração, anulando a si mesmas em nome de uma falsa ideologia em prol do reino (que reino é esse pergunto eu?!).

A construção da arca, foi uma proposta visceralmente antagônica realizada com coisas do dia-a-dia, regada com os muitos enfrentamentos da vida e, com toda certeza muitas oposições, discussões, acidentes, desânimos, erros, acertos e alegrias que fizeram parte desse processo de “assumir o que se crê”.

Ser protagonista de novas possibilidades e expressões históricas no caminho do Evangelho, quebrando paradigmas e tradições enrijecidas pela falta de sensibilidade e acomodação com o “status quo” do sistema religioso falido que aí está instalado, é sinônimo de “dar a cara pra bater” em nome de Jesus!

Para que você não passe pela vida, e seja simplesmente mais um que andou no mesmo “barco” da passividade e conformismo da grande maioria, e não se deu o direito de ousar viver a fé de acordo com a “arca”, não tendo opinião própria nem personalidade, vivendo de fachada religiosa e contabilizando frustrações por convicções não assumidas, quero sugerir algumas coisas bem práticas:

1° Não espere que outro chame para si, a responsabilidade de uma vocação e revelação que foi dada a você!

2º Assuma o risco de ser criticado e perder a boa reputação, pois só os despojados vivem uma nova dimensão.

3° Não deixe que o fator tempo, seja argumento de relativização e negociação de valores e princípios do Evangelho que você agregou em sua consciência.

4° Não fantasie a realidade visualizando o arco-íris, tempestades de montão virão, mas o Sol da Justiça prevalecerá!  

Bom, é isso. Vai entrar na arca, ou continuar andando no mesmo barco?!